terça · semana 41 · 2026
a semana
da crowd
5 a 11 de outubro de 2026
8 discos saídos a 9 de outubro: Cameron Winter em destaque, mais Teenage Fanclub, Remi Wolf, Jess Williamson, Ovrkast., HAAi, saoirse dream e Basht.
8 discos


01

Teenage Fanclub
— Do Not Dare To Dream
álbum
LP · 9 out 2026 · Merge
Os baluartes do power pop dos 90's chegam ao 13.º álbum, gravado numa ilha isolada com as harmonias de sempre e uma saudável desconfiança do "dare to dream". Tocaram connosco em 2023 e não os esquecemos.
Treze álbuns depois, os Teenage Fanclub continuam a fazer o que ninguém faz melhor: canções de guitarra luminosas, harmonias vocais encaixadas ao milímetro e uma melancolia que nunca se deixa vencer. Este Do Not Dare To Dream, sucessor de Nothing Lasts Forever (2023), foi gravado no estúdio Black Bay, na ilha de Great Bernera, nas Hébridas Exteriores, o mais isolado onde a banda já trabalhou, e leva um órgão de igreja Domus e alguns sintetizadores. O título nasce do ceticismo de Norman Blake perante o slogan "dare to dream", e o disco fala de incerteza, resiliência e de um otimismo sem ingenuidade. Editado pela Merge, "Day In The Sun" é uma boa porta de entrada. Para quem cresceu com Bandwagonesque e para quem os descobre agora, é um disco caloroso, escocês até ao tutano. Tocaram connosco em 2023, por isso este disco é também um reencontro.
crítica 77

02

Remi Wolf
— Mud
álbum
LP · 9 out 2026 · Island
3º álbum, feito entre os estúdios Electric Lady, em Nova Iorque, e Joshua Tree. Depois de um retiro com amigos em Big Bear, um disco que ela própria diz ser purificador. Pop torta, com profundidade.
Depois de Juno e Big Ideas, Remi Wolf chega ao terceiro álbum com uma pergunta na cabeça: o que quer realmente dizer? A resposta nasceu num retiro em Big Bear, com um pequeno círculo de amigos e o colaborador de sempre, Jared Solomon, e foi gravada sobretudo entre o Electric Lady Studios, em Nova Iorque, e Joshua Tree. Wolf descreve-o como um disco muito purificador de fazer, e nota-se uma artista a tirar peso de cima. Em onze faixas, com "Bottle", "Champagne", "Twiggy" e "Burn Me Blue" à cabeça, mantém a energia torta e colorida que a tornou conhecida. É o álbum mais pop da nossa lista, mas tem personalidade a mais para ser só isso, e é uma boa ponte para um público mais jovem.
crítica 76 · utilizadores 79

03

Jess Williamson
— A Mile South of Heaven
álbum
LP · 9 out 2026 · New West
Produzido por Shooter Jennings, gravado no Sunset Sound, em Hollywood. Country sem pose, escrito depois de deixar Los Angeles. Há Joan Didion pelo meio. Adeus, LA.
Jess Williamson já nos tinha habituado a um folk de escrita cuidada, mas aqui assume sem complexos o lado country. A Mile South of Heaven, o seu primeiro disco pela New West, tem produção de Shooter Jennings e foi gravado no mítico Sunset Sound, em Hollywood. O ponto de partida é a sua saída de Los Angeles, e o título aponta para uma ideia simples: valorizar onde se está em vez de correr atrás do que não se alcança. "Goodbye To All That" cita no título o ensaio de Joan Didion e é a melhor entrada, mas há mais nas doze canções, como "Country Mile" e "Texas Time". É um disco com cheiro a estrada de terra e uma compositora a escrever com a cabeça no sítio. Para quem na Crowdmusic gosta de alt-country e de boas canções, é uma escolha natural.
crítica 75

04

em destaque
Cameron Winter
— Live at Carnegie Hall
ao vivo
Live · 9 out 2026 · Partisan
O vocalista dos Geese sozinho no Carnegie Hall. Voz rachada, silêncio, uma sala inteira em suspenso. O disco ao vivo que ninguém pediu e que toda a gente vai querer ouvir.
Depois de ter posto os Geese no centro das conversas e de ter lançado o seu disco a solo, Cameron Winter subiu ao palco do Carnegie Hall em 2025 e a noite ficou registada em disco. O resultado é o tipo de álbum ao vivo que raramente justifica a existência: o que importa é captar um artista num momento exato. A voz instável e imprevisível de Winter, ora frágil, ora a rasgar, ganha outra dimensão numa sala daquele tamanho, onde o silêncio do público faz parte do arranjo. Editado pela Partisan, tem a nota mais alta da semana, tanto junto da crítica como dos ouvintes. Para a comunidade Crowdmusic, é uma porta de entrada para um dos nomes mais comentados do indie atual e um aviso para quem já anda a seguir os Geese: vale a pena ouvir este homem sozinho.
crítica 87 · utilizadores 92
pedir esta banda
05

Ovrkast.
— STRIKING
álbum
LP · 9 out 2026 · three times LOUDER
Rapper e produtor de East Oakland, 18 meses de trabalho, 12 faixas. Jazz, samples e Madlib e Dilla no ADN, com Kendrick e Jay-Z como bússola. A Bay Area a falar baixinho e a bater forte.
Depois de While The Iron Is Hot, o projeto de 2025 que o fez notar, Ovrkast. voltou ao estúdio para um álbum que começou como extensão do anterior e acabou por se tornar outra coisa, ao fim de cerca de 18 meses. O rapper e produtor de East Oakland assina um hip-hop de produção carregada de samples e com cheiro a jazz, na linha de Madlib, J Dilla e de toda a escola da Bay Area. Cita como inspirações o DAMN de Kendrick Lamar e o 4:44 de Jay-Z, e dá-lhes uma leitura própria, mais íntima e mais musical. O disco foi afinado numa semana de escrita em Los Angeles com colaboradores de sempre, como Grant Lapointe, Like e o arranjador de cordas Aaron Paris, e tem convidados como Niontay e Self Proclaimed Narcissist em "Wata" e "PANE". Saiu na three times LOUDER, de Brooklyn. É a nossa aposta no hip-hop mais cuidado e underground da semana.
utilizadores 77

06

HAAi
— DIGITiSE
álbum
LP · 9 out 2026 · Mute
Novo álbum na Mute, pensado como um set de DJ que dura a noite toda. Com Pat Alvarez, Skybreak, James Messiah e um coro infantil colombiano. Pista com alma.
HAAi nasceu atrás de uma cabine de DJ e nota-se. DIGITiSE começou como extensão de HUMANiSE (2025) e acabou por ganhar vida própria, com uma ideia clara: espalhar-se por vários estilos, como um set que dura a noite inteira. Editado pela Mute, o álbum reúne Pat Alvarez, Echonomist, Skybreak, ILA, James Messiah, Kaiden Ford e o coro infantil colombiano Cantoalegre. A faixa-título, com Pat Alvarez, é o núcleo de tudo, e para HAAi a pista de dança continua a ser um lugar de comunidade e ligação. A nota é mais modesta do que a dos outros discos da lista, mas é o nosso representante da pista, para quem gosta de eletrónica que também pensa.
utilizadores 70

07

saoirse dream
— grimdark
álbum
LP · 9 out 2026 · Lauren Records
Do hyperpop ao emo pesado: oito canções sobre luto, raiva e colapso. Catherine Egbert troca o brilho por distorção. Um culto da internet a chegar às guitarras.
saoirse dream é o projeto de Catherine Egbert, que começou no hyperpop, ganhou um culto online e se transformou numa banda emo, com mais de 80 concertos na América do Norte e na Europa. grimdark, na Lauren Records, tem oito canções que a editora descreve como uma descida ao luto, à raiva e ao colapso imaginado. Em vez da eletrónica brilhante do início, aparecem texturas mais pesadas, guitarras a rebentar e sintetizadores de chiptune, com vozes harmonizadas por cima. O single "death vs dying" parte de uma narradora fictícia que revive um trauma antigo, uma forma que Egbert encontrou para aceder a uma raiva difícil de dizer na primeira pessoa. Há convidados como Left at London e estelle allen em "dolled up". É a nossa aposta de descoberta da semana, para quem quer ouvir uma artista a mudar de pele.
utilizadores 77

08

Basht.
— Poor Advice
álbum
LP · 9 out 2026
Estreia irlandesa de noise-rock, riffs punk e a Igreja Católica no centro. "Keira Knightley" é o single mais pop. Ruído com sermão.
Os Basht. saem da cena irlandesa em crescimento com um álbum de estreia que não dá descanso. Liderados por Jack Leavey, misturam ritmos desencontrados, guitarras sinistras e uma atitude entre o noise-rock e o punk. Poor Advice abre com "Dive", de bateria sincopada e riff pesado, e passa por "Keira Knightley", o single mais pegajoso, e por "Terror TV", um punk com mensagem política à esquerda. Em "Superchurch" fala-se da desilusão com a Igreja Católica irlandesa, tema central de um disco quase conceptual, que acaba, ainda assim, com uma nota de esperança. A Clash deu-lhe 8/10. Para o público Crowdmusic, que gosta de descobrir bandas antes do resto, é uma aposta para ver ao vivo.
utilizadores 76