terça · semana 42 · 2026
a semana
da crowd
12 a 18 de outubro de 2026
5 discos saídos a 16 de outubro: Fontaines D.C. em destaque, mais Rachel Chinouriri, Eels, The Avalanches e @.
5 discos


01

Rachel Chinouriri
— I think I spoke too soon
álbum
LP · 16 out 2026
Segundo álbum da cantora de Croydon: synth-pop e pop-rock com batidas de 80s e memórias de noitadas que correram mal. "Broken chair" e "Crash the car" são os pontos altos. Um disco para sad party people.
A cantora e compositora londrina de Croydon lança o segundo álbum com um título que já é meia confissão. Em doze faixas, mistura synth-pop e pop-rock com batidas dançáveis dos anos 80, vozes suaves bem à frente e uma pitada de dissonância que dá ao disco um ar de sonho. Fala de arrependimento pelas noitadas de juventude, de relações tóxicas, solidão e ansiedade social, sem resolver tudo no final. "One song away from crying" abre bem, "Broken chair" é apontada como ponto alto e "Crash the car" fecha com um lado shoegaze. Com 78 entre a crítica e 79 entre os utilizadores, é o disco mais acessível da semana e uma boa porta de entrada para quem quer conhecer o indie pop do momento.
crítica 78 · utilizadores 79

02

Eels
— Cookie Happened
álbum
LP · 16 out 2026 · E Works / Play It Again Sam
O 16.º álbum de Mark Everett parte de uma ideia do Cookie Monster: não chores por ter acabado, sorri por ter acontecido. "Cap In Hand" soa a pedido de desculpa cansado. Melancolia com sorriso torto.
Mark Everett, o E dos Eels, continua a escrever canções como quem arruma a casa depois de uma tempestade. Cookie Happened, o seguimento de Eels Time! (2024), edita-se pela E Works/Play It Again Sam e parte de uma frase do Cookie Monster: não chores por ter acabado, sorri por ter acontecido. O tema é a impermanência, a ideia de que alegrias e desgostos acabam esquecidos, e o single "Cap In Hand" mostra-o bem: baixo suave, orquestração discreta e a voz de quem pede desculpa depois de falhar. Everett é também tema de um documentário produzido por Judd Apatow, o que dá a este disco um contexto de balanço. Para quem já gosta de Eels, é a melancolia habitual, escrita com humor negro e sem pressa.
crítica 78 · utilizadores 71

03

em destaque
Fontaines D.C.
— Dopamine Chamber
álbum
LP · 16 out 2026 · XL Recordings
Quinto álbum, mais sombrio e sintético: trip-hop, goth e synth-pop, com Rosalía em "Where Is Gone?". Grian Chatten procurou inspiração em Veneza, Viena e na Sicília. O fim do mundo nunca soou tão viciante.
Cinco álbuns depois, os Fontaines D.C. continuam a recusar o conforto do post-punk que os lançou. Dopamine Chamber, editado pela XL, é o seu disco mais sombrio e sintético: há trip-hop, synth-pop e goth, com a crítica a lembrar The Cure e Massive Attack. Grian Chatten viajou por Veneza, Viena e a Sicília à procura de inspiração, e o resultado é um retrato de colapso social, sobrecarga digital e escapismo. Rosalía aparece na balada "Where Is Gone?", de inspiração Morricone. Entre as faixas a ouvir primeiro estão "Six Shot Morning", que abre com ecos de Depeche Mode, e "Tongue", uma groove trip-hop com um final à Bad Seeds. Com nota 85 entre a crítica e 80 entre os utilizadores, é o disco da semana e uma prova de que uma banda grande ainda pode arriscar.
crítica 85 · utilizadores 80
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04

The Avalanches
— No Bad Memories
álbum
LP · 16 out 2026 · Polydor
31 faixas e mais de 20 convidados: Karen O, Panda Bear, Jamie xx, Mike Patton, Carly Simon. Publicidade, nostalgia e colagem em overdose, com filme sci-fi à parte. Exagerado de propósito.
Seis anos depois de We Will Always Love You, os australianos The Avalanches voltam com um disco de excesso consciente: 31 faixas em cerca de 52 minutos, mais de vinte convidados e um filme sci-fi à parte. Passam por aqui Karen O, Panda Bear, Jamie xx, Mike Patton, Carly Simon, Barry Can't Swim e Suzanne Ciani, entre muitos outros. O som mistura garage, hiperpop, neo-soul e sad-pop, com amostras de anúncios e ruídos da era digital, e o tema é a publicidade, a marca e a nostalgia. Nem todas as ideias resultam, mas "Blue Shadows", "Can't Get Over Losing You" e "Together" estão entre o melhor pop da banda. Editado pela Polydor, é um disco para quem gosta de se perder num emaranhado de samples.
crítica 79 · utilizadores 80

05

@
— Autosmile
álbum
LP · 16 out 2026 · 4AD
O duo de Filadélfia assina pela 4AD o segundo álbum: folk psicadélica feita com meios caseiros, entre cordas, flautas e sons invertidos. Estranho e frágil, um gosto a conquistar.
Victoria Rose, apicultora, e Stone Filipczak, programador autodidata, são o duo de Filadélfia por trás de @ (lê-se "at"). Vieram da cena experimental DIY americana, escreveram à distância e nunca gravaram na mesma sala. Autosmile, o segundo álbum, é o primeiro com a chancela da 4AD: onze canções de folk psicadélica, assentes na guitarra acústica, com mudanças de acordes inesperadas, vozes frágeis, sons invertidos, cordas e flautas. Foi feito com equipamento caseiro e isso ouve-se, no bom sentido. "Bird" junta versos inquietantes a um refrão que cola, "Earthly Love" soa a livro de histórias e "I Know You Are (But What Am I Thinking)" é das mais equilibradas. Não é um disco imediato, mas é a escolha de descoberta da semana para quem gosta de música estranha e bonita.
crítica 78 · utilizadores 75