Crowdmusic

terça · semana 40 · 2026

a semana
da crowd

28 de setembro a 4 de outubro de 2026

8 discos saídos a 2 de outubro: Fat Dog em destaque, mais Greg Freeman, Wishy, Swans, Johnny Marr, Dev Lemons, The Koreatown Oddity e Forrest Nolan.

8 discos

Greg Freeman

01

Greg Freeman — All Set The Bone

Greg Freeman
All Set The Bone

álbum

LP · 2 out 2026 · Transgressive/Canvasback

Terceiro álbum, gravado depressa num estúdio em Hollywood entre mudanças, luto e tensão. Garrett Linck e Sam Atallah estão de volta. Um disco que, nas palavras dele, tem de assustar.

Greg Freeman regressa com o terceiro álbum, depois de I Looked Out (2022) e Burnover (2025), e é o disco mais bem cotado da semana entre os nomes de descoberta. All Set The Bone foi gravado rapidamente num estúdio em Hollywood, com os fiéis Garrett Linck e Sam Atallah e caras novas como Joey Sullivan (Florry), Carney Hemler (The Rockin Worms), Anna McClellan e Trinity Ace. Treze canções que o próprio descreve como o reflexo de muita mudança e muita tensão: mudança de casa, luto, instabilidade à volta. Freeman defende que fazer música nunca deve ser confortável, e ouve-se essa urgência numa escrita de detalhe e de guitarras que não relaxam. "Indu", o primeiro avanço, é a melhor porta de entrada. Editado pela Transgressive/Canvasback, é indie rock de songwriter para quem gosta de letras que ficam. Um nome a seguir de perto pela comunidade Crowdmusic.

crítica 84 · utilizadores 81

Wishy

02

Wishy — Nature's Pill

Wishy
Nature's Pill

álbum

LP · 2 out 2026 · Winspear

Segundo álbum dos de Indianápolis, outra vez com Ben Lumsdaine na produção. Metade gravada ao vivo, numa só sala em Los Angeles. Dream-pop açucarado com grunge à mistura. Já ouviste o "Lovesick"?

Os Wishy nasceram em Indianápolis à volta de Kevin Krauter e Nina Pitchkites, amigos desde o liceu, e depois dos EPs Mana e Paradise e do álbum de estreia Triple Seven (2024) chegam agora ao segundo disco. Nature's Pill saiu na Winspear e voltou a ter Ben Lumsdaine na produção. Gravaram em Los Angeles e registaram metade das canções ao vivo, na mesma sala, aproveitando o entrosamento ganho em tour. O som mistura dream-pop dos anos 90 e alt-rock com college rock dos 80 e indie dos anos 2000, num grunge açucarado que não leva a vida demasiado a sério. "Lovesick", cantada por Pitchkites, tem a pop luminosa de uns The Cure mais descontraídos ou uns The Sundays em grande forma. O tema de fundo é um mundo imprevisível e esmagador, mas cheio de possibilidades, encarado com alegria desafiante. Para quem gosta de guitarras com brilho, é disco para ouvir de janelas abertas.

crítica 80 · utilizadores 72

Swans

03

Swans — Newly Sentient Being

Swans
Newly Sentient Being

ao vivo

Live · 2 out 2026 · Young God Records

O último "Big Sound". Gravado em Berlim a 28 de novembro de 2025, fecha 15 anos de reinvenção. Cinco faixas, duas horas e meia de música. Prepara-te.

Newly Sentient Being documenta o último concerto da fase a que Michael Gira chama o "Big Sound" dos Swans, gravado em Berlim a 28 de novembro de 2025. Lançado pela Young God Records, fecha o ciclo aberto em 2010, quando Gira decidiu reunir a banda e seguir um caminho sonoro exigente e pouco acessível que conquistou um público devoto. São cerca de duas horas e meia de música em cinco temas, entre eles "The End of Forgetting", "The Merge" e "Paradise Is Mine", com material ainda por gravar em estúdio. Há também um registo em vídeo, realizado por Marco Porsia e Peter Harton. A nota dos utilizadores, a mais alta da semana, diz bem o peso do disco. É um mergulho em volume, repetição e transe, ideal para o lado mais aventureiro e experimental da nossa comunidade.

utilizadores 90

Fat Dog

04

Fat Dog — Cancel Me (I'm Tired)

em destaque

Fat Dog
Cancel Me (I'm Tired)

álbum

LP · 2 out 2026 · Domino

Segundo álbum da banda mais frenética de Londres. Electro-punk, art-pop e country espacial na mesma faixa. Nasce de uma tour que deixou a banda de rastos. Aguentas o ritmo?

Dois anos depois de WOOF, os Fat Dog, septeto do sul de Londres, voltam com Cancel Me (I'm Tired), o segundo disco, editado pela Domino. São dez faixas que a própria banda arruma, a brincar, em "electro-punk-art-pop-rock'n'roll-space-country", e o disco foi composto depois de Joe Love regressar a Londres de uma digressão mundial exigente. Fala-se de vício, amor e família, mas também de extraterrestres e de lojas H&M. A faixa-título bebe de "How Do You Sleep?", de John Lennon, e da ideia de como os turcos Altın Gün soariam numa pista de dança. Mantêm o caos controlado, os sintetizadores insistentes e o humor negro que fizeram deles uma das bandas ao vivo mais comentadas dos últimos anos. É música para a comunidade Crowdmusic que gosta de suar, rir e ficar sem fôlego no mesmo concerto.

crítica 72 · utilizadores 76

pedir esta banda
Johnny Marr

05

Johnny Marr — The Age of Everything

Johnny Marr
The Age of Everything

álbum

LP · 2 out 2026

Quinto álbum a solo, o mais "catártico" segundo o próprio. Dez canções sobre o excesso de estímulo, com "Spin" à frente. O ex-Smiths ainda tem muita guitarra para dar.

Johnny Marr lança o quinto álbum a solo e descreve-o como o mais catártico até hoje. O título, The Age of Everything, vem da sensação, partilhada por muita gente, de estarmos permanentemente sobrecarregados de estímulos, tecnologia e cultura. Mesmo assim, Marr recusa a visão apenas negativa e deixa espaço para otimismo e possibilidade. São dez canções, de "Spin", o primeiro single, a "Beyond The Rain", "Ophelia" e "All In A Life". A guitarra tem aquele toque inconfundível que o tornou uma das figuras maiores do indie britânico. Num alinhamento cheio de nomes de descoberta, é a escolha reconhecível, a que une gerações do nosso público.

crítica 76 · utilizadores 61

Dev Lemons

06

Dev Lemons — hunting what we already killed

Dev Lemons
hunting what we already killed

álbum

LP · 2 out 2026

Segundo álbum: onze faixas sobre o fim de uma relação, produzido por Emmett Kai. R&B intimista, guitarras distorcidas e gritos em "another word you say". Começa por "eat the pavement".

Dev Lemons começou por publicar canções sob o nome Miss iPad e ganhou público no YouTube com versões de temas que nunca tinha ouvido antes, de "Vroom Vroom", de Charli xcx, a "Get Got", dos Death Grips. É também conhecida pelos pequenos filmes de terror absurdos no TikTok e por visualizadores de letras com ar de jogo de aventura dos anos 90. hunting what we already killed, o segundo álbum, acompanha o fim de uma relação ao longo de onze faixas, da devoção à negociação, da culpa ao ressentimento e à aceitação, escritas durante cerca de ano e meio. A produção é de Emmett Kai, co-dono da Unisex Records, e empurra o som para o rock alternativo, com grooves de R&B intimistas, guitarras distorcidas e gritos nos momentos mais pesados. Radiohead e Deftones andaram nos auscultadores durante a escrita. "only one way to know" abre o disco, "eat the pavement" é o single mais luminoso, com um vídeo violento ao estilo de desenho animado, e "another word you say" acaba num breakdown aos berros. Sucede a SURFACE TENSION (2025), mais virado para a pop e o rap.

utilizadores 82

The Koreatown Oddity

07

The Koreatown Oddity — Purdy

The Koreatown Oddity
Purdy

álbum

LP · 2 out 2026 · Stones Throw

Quarto álbum na Stones Throw. Paternidade, parceria e a lógica de uma criança, de cavaleiros em batalha a cuidar da relva. Rap pouco convencional e muito humano.

O rapper de Los Angeles The Koreatown Oddity lança Purdy, o quarto álbum na Stones Throw. O disco mistura histórias fora do comum com reflexões sobre paternidade, parceria e responsabilidade crescente, tudo filtrado pela lógica brincalhona da imaginação de uma criança. Passa-se da primeira batalha de um cavaleiro ao apreço por um relvado bem tratado, e ainda por etiqueta no local de trabalho. É um retrato do artista e do homem por trás do nome: inventivo, divertido e profundamente humano, com um pé no quotidiano e outro no absurdo. Para a comunidade Crowdmusic, é a escolha hip-hop alternativa da semana, longe das fórmulas e perto da melhor tradição da editora.

utilizadores 74

Forrest Nolan

08

Forrest Nolan — Indie Movie Soundtrack

Forrest Nolan
Indie Movie Soundtrack

álbum

LP · 2 out 2026

Nascido em 1998, também conhecido como Ponyboy FTO. Pop-rock, noise pop e garage com ar de banda sonora de filme indie. "thank you i guess" é a porta de entrada.

Forrest Nolan, músico norte-americano nascido em 1998 e também conhecido como Ponyboy FTO, tem andado a construir um percurso discreto, com cerca de uma dúzia de projetos entre álbuns, EPs e singles. Indie Movie Soundtrack é o disco que o põe em destaque, com boa reação dos ouvintes. O som passa por pop-rock, indie pop, garage e noise pop, com o encanto desarrumado de quem grava com vontade e sem cerimónias. "thank you i guess" é a faixa mais ouvida e a melhor forma de entrar no disco. Como o título sugere, tudo soa a banda sonora de um filme independente que ainda não existe. Para quem gosta de descobrir artistas à margem, é uma pequena pérola.

utilizadores 79

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