terça · semana 37 · 2026
a semana
da crowd
7 a 13 de setembro de 2026
6 discos saídos a 11 de setembro: This Is Lorelei em destaque, mais The Tubs, Bonobo, Pretty Sick, Ezra Collective e Eiafuawn.
6 discos


01

The Tubs
— Hard Life
álbum
LP · 11 set 2026 · Merge Records
Estreia na Merge e o disco mais afiado dos galeses. Owen Williams transforma ruínas amorosas em refrões de jangle-pop virtuoso. Canções de separação que soam a festa.
Há bandas que demoram três discos a perceber o que são, e os The Tubs acabaram de chegar lá. Vindos de Londres com raízes galesas — e com metade dos Joanna Gruesome na formação —, assinaram agora pela Merge e trouxeram o registo mais completo da carreira. Hard Life vive do contraste que sempre os definiu: guitarras luminosas, quase celtas, a servir de veículo a letras onde Owen Williams disseca o desgosto com uma honestidade que chega a ser desconfortável. Metade das canções tem "you" ou "your" no título, o que diz tudo sobre o assunto em causa. A crítica deu-lhes o melhor resultado da semana e percebe-se porquê: o que noutras mãos seria um disco de separação, aqui sai com a energia de um concerto às onze da noite. Para quem vive de jangle-pop e power-pop bem escritos — Go-Betweens, Teenage Fanclub, os primeiros Big Star —, é dos discos do ano.
crítica 82 · utilizadores 68

02

Bonobo
— Distance in Static
álbum
LP · 11 set 2026 · Ninja Tune
Oitavo álbum na Ninja Tune, co-produzido com Dave Sitek. Arooj Aftab, Nilüfer Yanya, Joy Crookes e Ichiko Aoba passam por cá. Simon Green diz que pode ser o último por uns tempos.
Vinte e cinco anos depois de começar a fazer discos, Simon Green deixou escapar uma frase que muda a forma como se ouve este: "This is the end of an era, really." Distance in Static é o oitavo álbum de Bonobo e pode ser o último por uma boa temporada, o que talvez explique a sensação de balanço que atravessa os catorze temas. A produção é dividida com Dave Sitek — sim, o dos TV on the Radio —, e essa presença nota-se: há mais textura e mais sujidade do que o habitual num disco que continua a viver entre o deep house e o downtempo. A lista de convidados é notável e nada decorativa: Arooj Aftab, Nilüfer Yanya, Joy Crookes, Ichiko Aoba. Cinquenta minutos construídos menos para a pista e mais para o que vem depois dela — a viagem de regresso a casa, de manhã cedo.
crítica 70 · utilizadores 74

03

em destaque
This Is Lorelei
— The Singer in My Band
álbum
LP · 11 set 2026 · Matador Records
Nate Amos chega à Matador e troca o bedroom pop por alt-country luminoso. Gravado em casa, com o pai ao banjo e a irmã nas vozes. O disco mais caloroso que já fez.
Nate Amos teve poucos anos e muita coisa a acontecer: os Water From Your Eyes a esgotarem salas em dois continentes, e o projecto a solo a crescer ao mesmo ritmo. The Singer in My Band é a estreia dele na Matador e a viragem mais clara que já fez — fora os truques de bedroom pop, fora os vocoders, e no lugar deles um disco de country-folk luminoso, gravado no apartamento em Brooklyn e terminado em casa dos pais, no Vermont. Fez tudo sozinho, com duas excepções que valem o disco inteiro: o pai, Bob Amos, larga um solo de banjo no tema-título, e a irmã Sarah e a companheira Al Nardo fazem as vozes de apoio. O humor seco de Warren Zevon anda por aqui, tal como o calor de American Beauty. É o registo mais direto e mais generoso da carreira dele — e o que melhor junta crítica e público esta semana.
crítica 79 · utilizadores 73
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04

Pretty Sick
— Anarchy
álbum
LP · 11 set 2026 · Dirty Hit
Sabrina Fuentes volta pela Dirty Hit com Oscar Scheller na produção. Indie pop, shoegaze e rap no mesmo sítio, sintetizadores cristalinos e distorção a doer. Começa por "City Kid".
Sabrina Fuentes começou os Pretty Sick adolescente, em Nova Iorque, e passou os últimos anos a recusar que lhe colassem um género. Anarchy, o segundo álbum e o primeiro em vários anos, é a resposta mais barulhenta possível a essa tentativa: gravado maioritariamente em Los Angeles com Oscar Scheller, é um híbrido maximalista onde o indie pop, o shoegaze e o rap coexistem sem pedir licença. Os sintetizadores são cristalinos, as batidas são pesadas e a distorção funciona menos como efeito e mais como ferramenta emocional — quando a canção aperta, o som aperta com ela. "City Kid" é o retrato urbano mais afiado do disco; "home2hide" mostra o lado oposto, recolhido e quase frágil. Para a comunidade Crowdmusic que anda entre o pós-punk e a electrónica suja, é dos discos mais interessantes deste Setembro — e uma banda a seguir de perto para datas europeias.
utilizadores 76

05

Ezra Collective
— Here Because of Hope
álbum
LP · 11 set 2026 · Partisan Records
Quarto disco dos vencedores do Mercury, em três movimentos: África, Caraíbas, Londres. Pa Salieu, Lila Iké, Leona Lewis e Letitia Wright na narração. Jazz para encher salas.
Desde que ganharam o Mercury que os Ezra Collective deixaram de ser "a banda de jazz que enche salas de rock" para passarem a ser simplesmente uma das melhores bandas ao vivo do Reino Unido. Here Because of Hope, o quarto álbum e o primeiro pela Partisan, é também o mais ambicioso: está construído em três movimentos, espirituais e geográficos, que seguem o percurso da diáspora negra — de África às Caraíbas e daí às ruas de Londres onde o grupo se formou. Cada andamento tem as suas vozes: Pa Salieu, Lila Iké, Leona Lewis e Libianca, com a actriz Letitia Wright a guiar o disco em spoken word. Debaixo da narrativa está o que os Ezra fazem melhor — afrobeat, jazz-funk e a bateria de Femi Koleoso a puxar tudo para a frente. É um disco político sem ser pesado, e feito para ser ouvido de pé.
utilizadores 77

06

Eiafuawn
— Endless Body
EP
EP · 11 set 2026 · Numero Group
Clay Parton, dos Duster, reaparece 20 anos depois com 16 minutos de slowcore pela Numero. Quatro temas, gravação suja, o mesmo peso suspenso. A descoberta da semana.
Eiafuawn — lê-se "ee-uh-fon" — é o projecto a solo de Clay Parton, metade dos Duster, e o nome é a abreviatura de uma frase que resume bem o registo: everything is all fucked up and what not. Em 2006 deixou um único álbum, Birds in the Ground, que a Numero resgatou há alguns anos e que entretanto se tornou objecto de culto para toda uma geração que descobriu os Duster pela internet. Vinte anos depois, e praticamente sem aviso, a Numero deixou sair Endless Body: quatro temas, dezasseis minutos, a mesma gravação suja e o mesmo peso suspenso de sempre. Não há reinvenção nenhuma aqui — e é precisamente esse o ponto. Slowcore e slacker rock feitos por quem ajudou a definir os dois, gravados como se os vinte anos não tivessem passado. Para quem vive neste registo, é o lançamento mais importante da semana.
utilizadores 72